Dicas para pescar pintado

Peixe de couro é típico da Bacia do Prata e pode ser capturado em rios como o Paraná e o Paraguai

O editor especial, Pepe Mélega, e autor destas dicas exibe um belo exemplar pescado em Ita Ibaté (ARG), no Rio Paraná

O assunto é: dicas para pescar pintado. Para se pegar um grande exemplar existem duas formas. Corrico (trolling) com iscas artificiais. Ou rodada pelos pontos promissores com isca natural. Prefiro o segundo, apesar de eu ter mais capturas com iscas artificias.

Para o surubim se corrica a favor da correnteza, ou seja, conta-se com a força dessa para que sua isca atinja maior profundidade. O mito de que o surubim bate na presa com o rabo e volta para pegá-la de vez não é real, na minha opinião. No começo, até pensei nessa possibilidade e reparei durante as capturas que de fato existiam algumas na cauda.

Entretanto, eu estava equivocado, pois na realidade a isca enrosca no exemplar durante todo o dia enquanto corricamos. Contudo, a briga é boa e muitas vezes se torna até mais vantajosa para o peixe. Em todas minhas capturas, ao final do dia, a isca estava presa na boca do animal. Na minha interpretação, durante este horário, os pintados saem para comer e por isso são fisgados pela boca.

Rodada com isca viva

Na rodada, também conhecida com caceio, a situação é diferente. Isto porque a isca natural acaba atraindo a atenção do predador que a abocanha. É necessário estar atento na hora, para não fisgar desenfreadamente, pois é preciso sentir o peso do animal carregando a isca. Nesta hora devemos proceder com firmeza na fisgada. Se ele começar a correr, a briga vai ser boa, e nessa oportunidade aproveite para confirmar a captura. Eu o faço com três puxadas rápidas, seguidas e curtas. As capturas nessa finalidade, no período final do dia, só reforçam minha observação sobre as fisgadas pela boca quando se corrica.

Equipamentos indicados

Sou fã de anzol do tipo Maruseigo, e o utilizo no tamanho 30 e às vezes 40. Quanto ao líder, quando corrico, uso geralmente o de náilon com mais de um metro de 0,50 a 0,70 mm. É um shock líder usado para absorver impactos. Por isso minha preferência por náilon, que é mais flexível, pois algumas vezes a água está muito baixa. O que aumenta o atrito entre as pedras, ou até porque os dourados estão presentes nos mesmos locais. Siga a recomendação de seu guia; ele vive lá e vai saber se é necessário usar náilon e em qual diâmetro ou metálico. 

Entre junho e agosto 

A época mais propícia para a procura dos grandes troféus é de junho até agosto, mas é possível pegar o ano todo. Já me ocorreu pegá-los em diferentes épocas. Mas é no inverno que o bicho pega com mais frequência. Mas é necessário estar vestido adequadamente, mesmo não sendo um tipo de pesca em que o pescador se molhe. Mesmo que você não goste desse tipo de pescaria, vale a pena a experiência de pegar um grande troféu.

Pepe conseguiu seus maiores exemplares em pescarias feitas no Rio Paraná, na Argentina