2   +   9   =  

Essência de isca: mito ou realidade?

A tentativa de “dar vida” a uma isca artificial possui muitos recursos. Um deles é a possibilidade de exalar um cheiro atraente…

Quando pescamos com as artificiais, normalmente tentamos atrair os peixes por meio de apenas dois sentidos: visão e audição.  Por esse motivo, muitas vezes procuramos aquelas iscas com cores chamativas. Ou ainda, aquelas mais realistas e que façam bastante bagunça na superfície ou vibrem bastante. 

Pouquíssimas são as situações em que apelamos para o olfato; este sentido normalmente está mais ligado à pesca com iscas naturais. 

No entanto, diversas pesquisas mostram que o olfato é um dos sentidos mais apurados dos peixes; a capacidade de um peixe sentir o cheiro chega a ser mil vezes melhor do que a de um cão. Outras pesquisas mostram que alguns peixes são atraídos pelo odor a centenas de metros de distância.

Agora, você deve estar se perguntando: como podemos atrair o peixe usando este sentido tão importante?

O emprego da essência tem conquistado cada vez mais adeptos nos mercados estadunidense e japonês

Cheiro, brilho e reações

Esses produtos costumam ser divididos pelos norte- americanos em três categorias. As de mascaramento para esconder os odores humanos e de plástico (por exemplo, anis, café ou alho); naturais, que imitam as presas (crawfish, sardinha, camarão, lula e outros); e fórmulas químicas, que são destinadas a estimular uma resposta de alimentação aos peixes. Esses produtos são encontrados na forma de stick (batom), gel ou líquido (frasco) ou em aerosol (spray).

As fórmulas químicas mais sofisticadas contêm feromônios, substâncias liberadas por animais. Alguns produtos usam feromônios de medo, que imitam a substância liberada por cardumes de pequenos peixes assustados. Isto faz o predador responder com ataques, porque o associam a uma fonte de alimento. Utilizam também feromônios de agressão. Estes simulam outros predadores caçando e fazem o peixe interpretar como uma concorrência.

Existem ainda essências que têm pigmentos UV, que são ideais para peixes como o black bass. Sabia que ele é capaz de enxergar o espectro ultravioleta? Ela produz um brilho espelhado, que pode atrair o peixe a grandes distâncias. Existem produtos com glitter, que vão adicionar brilho, e ainda aqueles que destacam cores fosforescentes.

Como usar

O seu uso é simples e pode ser empregado tanto nas iscas softs quanto nas de corpo rígido. Porém é na primeira opção que costumam render os melhores resultados. 

Alguns tipos de essências podem ser aplicadas em sua isca, nas laterais ou no corpo, mas nada de exagero. Não é quantidade colocada que vai fazer a diferença.
Outros tipos exigem que  você mergulhe a  isca e a retire em seguida ou a mantenha  imersa durante alguns minutos. 

Quando a isca está dentro da água, a essência é liberada aos poucos. A área que ela vai abranger depende das condições da água e das espécies. Mas em água doce pode chegar a alguns metros. Dependendo do tipo de essência, em 15 a 20 minutos a maioria dos ingredientes ativos se dispersa na água. Sendo assim, faça nova aplicação. Sugerimos passar a essência entre o quinto e o décimo  arremesso, dependendo de quanto durar o trabalho da isca.

Por esse motivo, o melhor trabalho é feito lentamente. Outras situações em que o produto faz diferença é quando pescamos no visual. Ou usamos o finesse. Quando temos uma entrada de frente fria e o peixe fica inativo também é uma boa.

O autor da matéria, Fábio Zurlini, sugere momentos especiais para o uso do produto

No bass e na traíra

Há algum tempo uso as essências na pesca dessas duas espécies. A garlic e a aniz são mais versáteis. Já os tipos shads, sardinha, crawfish e shrimp são específicos.

Costumo usar a essência de crawfish em algumas iscas duras que imitam o lagostim. Mas principalmente nas softs utilizadas  nas montagens Texas e Florida rig. E também quando me sirvo dela  presa a um rubber jigs.

A essência à base de shad e sardinha uso com iscas softs, as quais que imitam pequenos peixes. Além das iscas de corpo duro como cranks e shads, e duros nos spinnerbaits. 

Depois de aplicar o produto sobre a isca, tome o  cuidado de não   esfregar as mãos nos olhos. 

Redobre o cuidado com as essências que têm pigmentos tingidores, pois se caírem em sua roupa vão manchar. Outra providência é a de nunca guardar a soft pintada com as originais. Porque é muito comum que ela acabe manchando as outras ou até mesmo estragando.

Quando a essência tiver sido usada nas iscas de corpo rígido, é importante limpar a artificial antes de guardar no estojo. Isto vai evitar que o produto acabe estragando a pintura ou até o corpo da isca. 

Se estiver utilizando o modelo stick (batom), não  o deixe exposto ao sol, pois irá derreter. É melhor guardá-lo na caixa de pesca. No caso das líquidas, também as coloque em um local fresco e com sombra.Para finalizar, na minha avaliação, esse é mais um recurso que vai ajudar você a pescar melhor, principalmente quando as condições de pesca não são as melhores. Vale a pena experimentar!

O black bass é uma espécie que costuma ser atraída pela essência de isca. Experimente!