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Número de praticantes pode derrubar lei que proíbe pesca subaquática há 33 anos

Pescadores das Ilhas Canárias só podem pescar em 20% do arquipélago onde “não tem peixe” e a “corrente é desfavorável”

Por Lielson Tiozzo

A proibição da pesca subaquática há 33 anos em 80% das Ilhas Canárias tem provocado intensos debates na Espanha. Os praticantes alegam que nos 20% permitidos do território são prejudicados. Porque “possuem muita corrente” e, principalmente, “poucos peixes”. Além disso, alegam que estudos recentes são capazes de provar mínimos impactos ambientais no arquipélago com a ampliação da zona de pesca.

Há três anos os praticantes formaram uma associação para discutir o tema. A pesquisa feita pela Universidad de Las Palmas de Gran Canaria (ULPGC), no entender dos pescadores, já seria suficiente para mudar as regras. Isto quer dizer: liberar os arpões na maior parte do território.

A FAO considera a pesca subaquática uma das práticas mais sustentáveis por ser seletiva e evitar descartes

No entanto, o estudo da ULPGC não apresenta conclusões técnicas muito significativas. De acordo com site El Diário, a argumentação é que o número de praticantes aumentou consideravelmente nos últimos anos. Então, eles precisam ser atendidos. Os impactos podem ser evitados se “existir rígido controle e cotas”. Outro argumento é que a FAO considera a pesca subaquática sustentável, porque é seletiva e não gera descartes.

Quem havia solicitado o estudo, por sua vez, foi o próprio poder executivo local. A Direção Geral de Pesca das Canarias responde aos pescadores que a decisão depende do Parlamento Regional. Ela reconhece que a proibição já “não é justa”. Mas nada faz, além de jogar a responsabilidade no colo dos parlamentares. Não há previsão de votação. Tampouco de mudança, apesar da pressão.