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O perigoso niquim

Quem costuma praticar a pesca de praia deve ficar atento caso capture um destes

Por Wladimir Ferreira

Não posso deixar de fazer um alerta. Pescando em praias de muitos estados do país nunca tinha capturado ou presenciado a captura de um niquim (Thalasophryne nattereri).

Uma das coisas que eu sempre gostei é conhecer as espécies maninhas de nossa costa. Estava um pouco longe do meu amigo Wagner. Vi que ele havia fisgado um peixe estranho. Mas a cor e algumas características daquele peixe me chamaram a atenção.

Wagner estava com um niquim em uma das mãos. Mesmo que segurando com cuidado, ele não poderia fazer a menor ideia do risco que corria.

A Pesca & Companhia já havia publicado um alerta sobre o niquim. Mas nunca poderia imaginar que um dia estaria frente a frente com um, em uma condição bastante incomum. Já que é um peixe que costuma frequentar as praias do nordeste, estuários e mangues, sempre se mantendo embaixo da areia ou da lama. E meu caso se deu em Santa Catarina. Sendo que os acidentes ocorrem quando banhistas e mergulhadores pisam ou chutam os seus espinhos.

O niquim tem dois espinhos dorsais e mais um de cada lado, que são usados como agulhas para injetar o veneno, armazenado em pequenas bolsas.

Portanto, é como se fossem as presas de uma víbora. Diferentemente das raias, que possuem bactérias em seus espinhos.

Tanto que o Instituto Butantan está em um estágio avançado para a obtenção um antídoto contra o seu veneno. Relatos de pessoas que sofreram acidentes com ele dão conta que a dor é terrível. Não temos informações de mortes, mas sim de complicações de alguns órgãos e até amputação de membros.

Pescador Wagner manuseia um exemplar do venenoso peixe niquim