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Wakebaits para pescar traíras

Os modelos de iscas criados para superfície e sub superfície são uma boa solução para os dias em que esses populares predadores estão manhosos

Por Guilherme Monteiro

Existe uma série de circunstâncias que fazem a traíra (Hoplias malabaricus) perder a voracidade e a violência que estamos acostumados a ver, e deixam a espécie mais manhosa, com ataques mais tímidos, em especial àqueles feitos na superfície. A água mais fria, vento, pressão, são alguns dos fatores climáticos que podem provocar esse comportamento. Some a isso, fases como a da reprodução para tornar as dentuças mais lentas e menos certeiras nos ataques – fato quo que acontece mais especialmente nas vésperas e após o período do “choco”.

Uma das soluções encontradas por mim, foi usar as wakebaits. Estão são iscas artificiais de corpo volumoso – muitas vezes lembram as crankbaits de barbelas mais curtas e angulação especial para nadarem na superfície. Estas iscas nadam de forma suave, que lembram a uma zara, mas fazendo um ziguezague mais curto e uma ondulação parecida com a de alguma presa nadando lentamente na superfície, o que é ideal para os peixes que não estão ativos o suficiente para perseguir iscas em movimento rápidos.

Formas de trabalho

Esse tipo de isca é muito simples de trabalhar, bastando o recolhimento ininterrupto para funcionarem. Existem alguns macetes que podem fazer a diferença no resultado das ações, que no caso seria a lentidão, palavra-chave para o sucesso com estas iscas.

Embora só recolher já seja suficiente, a velocidade deve ser sempre comedida, pois estamos tratando com o peixe manhoso. Neste caso, quanto mais lento melhor, criando um rebolado muito atrativo, vibração e barulho na água. Outra dica é intercalar paradinhas e toques leves de ponta de vara, ações que podem ser um diferencial.

Outra vantagem desses plugs é desviar das estruturas com alguma facilidade, não sendo na vegetação mais densa, elas nadam muito bem. A vara com a ponta para cima pode ajudar muito, assim como deixar as iscas flutuarem, para seguir recolhendo. Tenho feito isso com a Rat Runner, um modelo bastante eficiente para essa situação, especialmente com o recolhimento seguido de toques.

Tralha reforçada

Aqui no Sul optamos por varas mais fortes por dois motivos: o tamanho mais avantajado das traíras e a necessidade de retirar elas do meio da vegetação, o que faz com que o peso do peixe se multiplique. Se o pescador estiver com um material leve, poder ter o equipamento quebrado ou ainda não conseguir retirar o peixe do meio da estrutura mais densa, vindo somente a famosa “saladinha” de pastos na nossa isca. Portanto, varas de 10 a 20 libras ou 12 a 25 são as ideais nessa situação.

Já o tamanho do caniço varia conforme a preferência pessoal do pescador. Porém, os modelos maiores de 6 pés trazem uma boa vantagem para pescar a pé no entorno dos lagos ou mesmo dentro deles. Isso ajuda a conseguir uma distância maior nos arremessos, assim como uma fisgada mais eficiente e maior poder de briga com o peixe.

Um detalhe importante é o uso de um pequeno cabo de aço, pois os grandes exemplares não respeitam muito o flúor, mesmo de libragens exageradas, pois os dentes são capazes de romper até mesmo o aço mais fino. Quando produzia as imagens para este artigo, perdi peixe enorme por ter encharutado a isca que estava presa a um cabo de aço de 30 lb. Fique atento e se houve uma mudança na apresentação da isca, usar um pedaço menor do aço.

Um bom local

Para encontrar os espelhos na água em meio as estruturas e possibilitar o nado livre das nossas artificiais é preciso estudar o local. Defina a sua posição de forma que facilite a chegada do peixe sem passar pelas partes mais densas de vegetações, evitando perder a traíra no enrosco. Outra possibilidade é o de entrar na água até uma certa altura, para poder lançar rente as estruturas, isso aumenta a chance da dentuças sair debaixo do capim.

Não esqueça de utilizar roupas e calçados apropriados, pincipalmente se você pretende entrar na água.

Nos períodos mais frios, waders e roupas de borracha ou neoprene são essenciais. Com o calor eu prefiro utilizar um tênis adequado para andar na água e uma calça de secagem rápida, pescando molhado mesmo. Não entre de bermudas ou descalço na água, os riscos não compensam, pois isso pode ocasionar um ferimento ou alguma reação alérgica que algumas vegetações podem causar – isso sem mencionar a presença de parasitas como sanguessugas. Estar seguro é fundamental.

Como existe uma variação no começo e final da reprodução das traíras, algumas podem estar cuidando dos ninhos, enquanto outros já terminaram esse ciclo. Então tome cuidado. Importunar uma mamãe com seus ovos é muito prejudicial ao ciclo. No detalhe da foto vocês podem conferir os cortes profundos provocados pelos dentes de outra, comum na fase da formação de casais para a desova.

Pescar traíras é um grande barato, o peixe mais encontrado em todo país, que inicia muitos na pesca com artificiais. Eu, por mais lugares, que conheça, jamais deixarei de brincar com as dentuças, peixe voraz e bruto, que ainda continuo apaixonado.

Guilherme Monteiro e uma traíra fisgada com wake bait numa represa do Rio Grande do Sul