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Como pescar traíra no frio com iscas de superfície

Apesar de ficarem lentas, se provocadas elas podem atacar os sempre produtivos sapinhos

Por Guilherme Monteiro

Muitos pescadores pensam como pescar traíra no frio. Com um pouco de técnica, paciência e observação dos fatores naturais, nós afirmamos que sim, é possível fazer boas pescarias, mesmo durante os períodos mais frios, e mais: na superfície.

No Sul do Brasil, em estações de transição, como parte do outono e da primavera, e quase todo o inverno, temos uma oscilação grande de temperatura, fazendo muito frio durante à noite. Então é natural que o comportamento das traíras mude, ficando bem mais lentas que o normal, procurando as melhores estruturas para se abrigarem. Ainda assim elas atacam ao serem provocadas com um pouco de técnica.

O mais fácil para pescar seria utilizando técnicas de fundo com montagens soft, ou mesmo jigs. Uma importante consideração a ser feita é a observação profunda do local, pois em geral só será possível conseguir boas capturas de traíra onde estão concentrados os cardumes.

Com temperaturas noturnas de quatro ou cinco graus celsius, os melhores momentos para pescá-las são quando os picos de temperatura passam de 16 até 18 graus, preferencialmente quando surgirem períodos de sol, pois assim a água não estará tão gelada. Outro importante fator externo para facilitar o trabalho é a pressão barométrica. Quando, por exemplo, ultrapassa a casa dos 1020, temos uma boa situação.

Provoque!

A principal técnica para levantar as dentuças no frio é a provocação extremamente lenta, passando os frogs anti-enrosco em cima das estruturas mais densas, por vezes fazendo a isca patinar sobre um mesmo ponto. Outra dica importante é utilizar as paradinhas no trabalho de isca, toques macios de ponta de vara e um trabalho mais do que lento.

Tudo isto fará elas ficarem “muito brabas”, ao ponto de não resistirem e atacarem com tudo. Mesmo que nessa época elas estejam muito lentas para comer, a voracidade habitual é percebida, pois quando resolvem atacar, fazem de forma muito extrema, geralmente “encharutando” nossos sapinhos e ratos.

O certo é que todos nós pescadores devemos sempre estar em busca de novas situações, é comum acharmos que uma regra não pode ser quebrada, quando na verdade na pescaria a regra é “não ter regras”.

Precisamos ficar sempre atentos às situações atípicas, pois muitas vezes a exceção pode facilmente ser uma variável a ser sempre considerada.

Preparem seus casacos e use roupas apropriadas como pantaneiras de borracha. Tenha ótimas fisgadas no frio!

O autor vive numa região bastante “gelada” do país e por isso tem boas recomendações