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Pescaria de piauçu em todos os detalhes

Dicas simples, mas testadas com eficiência pela nossa equipe, rendem uma grande pescaria da espécie de escama muito procurada nos rios do Pantanal e do Sudeste

Por Alexandre Dick

O piauçu, também conhecido como piavuçu ou ainda piau sul, parente bem próximo da piapara (da família leporinus), é um peixe que gosta de se concentrar nas bocas de lagoas ou de ficar embaixo de camalotes, principalmente nas margens de rios e lagos, onde se esconde dos possíveis predadores, como os dourados.

Pode ser encontrado em abundância nas águas do Rio Paraguai, no Pantanal, bem como nos Estados de Minas Gerais, Goiás, São Paulo e de forma alóctone no Rio Paraná. Milhares de turistas e pescadores visitam essas regiões em busca da emoção de fisgar a espécie.

Esse peixe é mais “parrudo” que a piapara, e talvez por isso seja uma das espécies mais fortes capturadas com ceva. O piauçu pode atingir cerca de 8 kg e quebrar muitas linhas e anzóis. Onívoros, comem de tudo um pouco, são capturados com as mais diversas iscas, como caranguejo, massa, milho, soja, minhocoçu, entre outras opções que variam de acordo com o conhecimento do pescador.

A ceva

A maneira de se fazer uma boa ceva para piauçus é simples e prática. Em nosso pesqueiro foram utilizados somente grãos de milho, jogados antes da pescaria. Todos os dias colocamos cinco quilos de milho em um mesmo ponto, forçando o peixe a vir comer sempre por ali.

Para manter os peixes em volta do pesqueiro o dia todo, deixamos uma garrafa pet de dois litros cheia de ceva com pequenos furos, para que os piauçus fiquem roendo o milho que caia da garrafa. Esta é a forma ideal de atrair os peixes.

Mas para quem não consegue jogar comida todos os dias no local desejado, é recomendável fazer a ceva um final de semana antes da pescaria, mas em quantidade maior – um saco de milho de 60 kg, por exemplo.

Na metade da semana, se possível, você deve aplicar mais um pouco de ceva para concentrar os peixes no ponto. Fica a dica: use grãos de soja ou rama de mandioca na mistura ofertada aos peixes.

Linha na água

Conforme citado anteriormente, o piauçu é um peixe extremamente forte. Sempre que um exemplar for fisgado, a fricção da carretilha ou molinete vai ser testada. Por isso ela deve ser regulada antes da pescaria e não pode haver falhas.

Se estiver muito apertada, fatalmente o equipamento irá romper, pois a pegada dos exemplares grandes é violenta. Se estiver muito solta, a chance de o peixe levar a linha para o enrosco é grande, pois o piauçu briga sujo e tenta se soltar do anzol de todas as maneiras.

O equipamento deve ser mais reforçado do que o tradicionalmente utilizado nas piaparas, sendo indicadas varas com 6’ de comprimento, para linha de no máximo 17 a 25 lb de resistência.

Varas com pontas sensíveis são as ideais, já que, como as piaparas, os piauçus são muito astutos no ataque à isca. Por isso é necessário ficar muito atento para saber o momento exato de fisgar o peixe.

A linha indicada é de monofilamento 0,40 mm, um líder de 0,50 mm com até três anzóis número 14, conforme o modelo na fotografia. As iscas usadas podem ser as mais variadas possíveis, mas o que surte mais efeito é o tradicional grão de milho cozido e fermentado. O minhocoçu e a massa também são boas opções.

Formas de captura

Existem basicamente duas maneiras de se pescar o piauçu em lagos e que podem surtir o efeito desejado. A primeira técnica é geralmente aplicada quando não há vento, o que permite ao peixe carregar a isca até o momento certo da fisgada.

Para isso, o pescador deve arremessar e deixar o chumbo tocar no fundo. Quando isso acontecer, deixamos a linha frouxa, formando a ‘barriga’. Se a linha esticar, é porque o peixe atacou. Então o recolhimento deve ser rápido, até sentir que o peixe está ‘firme’. Essa é a hora da fisgada!

Quando houver vento, a pescaria com linha frouxa não é recomendada. Com isso deve-se mantê-la bem esticada. Para isso usamos um chumbo um pouco maior, que diminua o efeito do vento e faça a isca permanecer em um mesmo local.

Se for essa a modalidade escolhida, o pescador deve ficar muito atento na hora da fisgada, pois o ataque do peixe é tão forte que a vara pode simplesmente ser tirada da mão, a exemplo dos pacus, que colocam a isca “nas costas” e vão embora. Durante esta reportagem, devido à falta de atenção, dois peixes levaram nossas varas para dentro da água e isso com certeza nos ensinou uma lição.

Nos casos em que se estiver no rio, a pescaria é semelhante à da piapara. Usa-se um chicote de aproximadamente um metro e anzol número 14. É necessário um chumbo para segurar a isca na correnteza, com tamanho a critério do pescador. No entanto, quanto maior for a força da corredeira, maior deve ser o peso.

Independente da situação em que se pesque, em rio ou em lago, com vento ou sem vento, vencer o piauçu não é uma tarefa fácil.

Trata-se de um peixe com musculatura desenvolvida e extremamente forte, que faz de tudo para se libertar. Se pudesse fazer um comparativo, sem exageros, acredito que é uma mistura da força do pacu, com a agilidade da piapara e a astúcia do tucunaré ao levar a isca para o mato e tentar se soltar.

Para quem gosta de pescaria de ceva e é amante da piapara, o piauçu é um prato cheio e que oferece muita emoção ao pescador. Sua pescaria na maior parte do Brasil é permitida somente fora do período da piracema.

No Rio Paraná e no Lago de Itaipu, especificamente, o piauçu é considerado alóctone, ou seja, que vive ali mas não é originário do local, e por isso pode ser pescado durante o ano todo, mas com menos freqüência nos meses de inverno.

O piauçu é um peixe muito forte e por isso proporciona uma briga intensa com o pescador