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Sem preconceito de pescar tucunaré com molinete e iscas artificiais

Um mestre da pesca ao black bass explicou os motivos e as vantagens de preterir a carretilha em função do molinete

Por Juninho

Numa véspera de torneio, o guia Braguinha me sugeriu levar equipamentos de molinete para pescar tucunaré com iscas artificiais. Era parte do treinamento. E ele iria explicar as vantagens do emprego deste material para tentar atrair os peixes com jigs.

No barco, mesmo levando “puxões de orelha” e “pito em cima de pito”, lá estava eu “torcendo o bico”, mas feliz de saber que nada sei. Isso não é decepcionante e sim contagiante, e faz a gente crescer psicologicamente, pois, do nada, naquele momento se descobre que padrões usuais estão fora de cogitação e tudo muda.

Eu pescava com carretilha do mesmo modo com que pesco no Sudeste, e em certo momento o “professor” não aguentou. Pegou um de seus equipamentos: um conjunto de vara e molinete carregado com linha de fluorcarbon de 5 lb, aproximadamente 0,21 mm e a isca um hig de 3,5 g atado pelo próprio Braguinha.

Confesso que não concordei e disse que não, pois não tinha o costume de pescar com molinete. Ele, compenetrado, me falou que “não discute com a polícia”. Aí o jeito foi manusear o apetrecho de pesca.

Com o conjunto na mão, muita coisa passava pela minha cabeça e tive que reaprender a usar molinete e veio uma nova prática, que era acompanhada didaticamente e corrigida a todo o momento pelo Braga, que estava determinado a ensinar.

E vieram as primeiras e difíceis capturas. Aí tudo começou a ficar apaixonante. Nossa!

Foi sensacional escutar o molinetinho “gritar” e relembrar das primeiras pescarias de piaparas de décadas atrás, feitas com molinete e ouvindo o somdas tomadas de linhas, algo sensacional. Na época, eu e Rosa brincávamos e dizíamos: “o barulhim que atrapalha o vizim”. Treino terminado, voltei para casa, mas a cabeça mal entendia. Tinha vivido “milhões” de pensamentos que iam e vinham.

O retorno às raízes

Percebia desse modo que outra vez a pesca me “pregava uma peça” e me contagiava com um novo “vírus”. Imediatamente comecei a revirar meu quartinho de pesca atrás de varas, molinetes, linhas, jigs… Encontrei muitos ingredientes preciosos, várias varas de molinete “aposentadas”.

Elas foram lavadas e os passadores, revisados. Abasteci um molinete antigo com linha 8 lb; como isca usei o que tinha disponível, alguns jig heads e isquei corpo de silicones.

Assisti a alguns vídeos explicativos na internet e dei uma escapada de meio de semana a um açude próximo à minha casa. Em uma tarde, o resultado foi algo impressionante e inesquecível! Consegui dezenas de capturas, inclusive um tucuna de aproximadamente 2 kg. A felicidade era tamanha que eu parecia criança!

O “vírus” ganhou força total. Fui em busca de conhecimento, lendo e aprendendo muito a respeito. Este foi abastecido com linha 0,15 mm e líder de 12 lb.

No caso dos jigs, os de 3,5 g, vale lembrar que o molinete quando abastecido com fluoorcarbono não necessita de líder. Braguinha também lembra que no caso dos jigs pequenos não se deve usar snaps, apenas ó nó.

Juninho relutou, mas aderiu à pesca com molinete nestas situações