Um verdadeiro manual para encontrar a espécie em diferentes épocas

Por Maicon Bianchi

Estrutura é o ponto em que os pequenos peixes procuram abrigo e alimentação e os predadores, como o tucunaré, costumam ficar bem próximos.

Eles podem ser arbustos, árvores caídas, pauleiras, tocos, pedreiras, praias, vegetações, ilhas, drop-offs, entre outros, ou seja, vai ser lá que o pescador terá maior facilidade em fisgar o troféu.

Em toda a extensão da represa ou lagoa é possível identificar lugares prováveis de peixes, porém, só em alguns deles o pescador vai ter ações.

Normalmente, o tucunaré tem um comportamento definido em relação às estruturas, por isso devemos saber o que aconteceu e o que está acontecendo no local de pescaria, atentarmos para a época e condições de água.

Por isso, o pescador local faz toda a diferença, por seguir o comportamento do peixe.

Dependendo da época é possível identificar algumas prováveis situações. Não são regras, mas sugestões para prospecção conforme a época do ano.

Épocas

Nas cheias, o tucunaré vai para a região marginal alagada em busca de alimento e se concentra nessas áreas.

Já na vazante, o tucunaré se concentra em bicos, pontas de ilhas, pauleiras, pedreiras, e na época reprodutiva, em regiões rasas com espraiados onde possa desovar com tranquilidade e vigiar sua ninhada.

No verão, as chuvas acentuadas fazem com que as águas percam a qualidade, PH, coloração e transparência. O nível sobe de forma desordenada, desorientando os peixes e dificultando a prospecção.

Nesse caso, procure lugares menos afetados, como barrancos mais fundos e próximos a locais rasos (drop-offs) ou ilhas submersas um pouco afastadas da margem. Muitos casais desovam em locais extremamente rasos.

Em época de chuvas, o nível da água sobe, a água suja e o pescador vai precisar procurar o tucunaré em diversos pontos, inclusive alguns afastados da margem

No outono

A estabilidade da água e início da vazante propicia uma facilidade na prospecção porque ela tende a limpar e o peixe a se fixar em locais com concentração de alimento.

Nesse caso, pontos de vegetação abertos são infalíveis. Muitos tucunarés ainda estão em pares para uma segunda desova.

No inverno, o início da vazante faz com que a vegetação marginal seque e os peixes saiam desse refúgio, pois o alimento já não é mais tão farto e abundante.

Em represas em que a temperatura da água cai muito, os tucunas tendem a se deslocar para locais mais fundos, afastados da margem, como pauleiras fundas.

A tendência é a concentração em cardumes para caçar e armazenar gordura para o período seguinte. Acredito que é a melhor época para pescar, pois encontrando um cardume é possível fazer “a pescaria”.

Na primavera, o problema é o vento que antecede a troca de estação. Os cardumes tendem a encostar para formar pares e iniciar o acasalamento e muitos exemplares ostentam o famoso calombo na cabeça.

Nessa época caçam para valer e ficam em estruturas próximos às margens e pontos de concentração de alimento, como galhadas, árvores caídas, bicos e ilhas.

Muitas vezes o peixe não quer subir. Nesse caso, uma boa isca de fundo como jumping jigs, jigs e shads funcionam bem, principalmente junto à troncos de árvores mais grossas e pauleiras submersas afastadas das margens.

Por isso, seja sempre versátil e criativo. Inove, invente, faça coisas que não faria e procure locais em que não bateria quando o peixe está difícil.

No inverno, o tucunaré tende a se afastar da margem e procurar pauleiras que estão mais no meio do lago