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China produz 63,26 milhões de toneladas de pescado em cativeiro e usa IA para reduzir pressão sobre peixes selvagens

Quando se fala em inteligência artificial na pesca, é comum pensar em sonares, mapas e equipamentos usados para encontrar peixes. Na China, porém, a tecnologia está sendo aplicada em uma escala muito maior: IA, big data e Internet das Coisas já participam da produção e do monitoramento de milhões de toneladas de pescado cultivado.

Os números ajudam a dimensionar essa transformação. Em 2025, a China produziu 76,52 milhões de toneladas de produtos aquáticos. Desse total, 63,26 milhões de toneladas vieram da aquicultura, segundo dados oficiais apresentados durante a 37ª Sessão do Comitê de Pesca da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), realizada entre 7 e 11 de setembro, em Roma. 

Isso significa que 83% da produção chinesa veio do cultivo e apenas 17% da captura, proporção destacada pela delegação do país durante o encontro. A produção aquícola chinesa representa ainda mais da metade de toda a aquicultura mundial. 

A escala é ainda mais impressionante quando comparada ao cenário mundial. A região Ásia-Pacífico responde por aproximadamente 90% da produção aquícola global, segundo Eduardo M. Leano, diretor-geral da Rede de Centros de Aquicultura da Ásia-Pacífico. 

Mas produzir mais peixe em tanques, viveiros e estruturas marítimas exige água, espaço, alimento, energia e controle ambiental. É justamente nesse ponto que a tecnologia começou a entrar com força.

IA já ajuda a criar peixes

Sensores conectados, Internet das Coisas, big data e inteligência artificial estão sendo utilizados para acompanhar e administrar a produção aquícola chinesa. Entre as aplicações estão sistemas de alimentação de precisão, monitoramento e fazendas inteligentes.

Zhang Wenbo, professor associado da Universidade Oceânica de Shanghai, explicou durante a reunião: “Tecnologias como a Internet das Coisas, big data e inteligência artificial (IA) estão sendo cada vez mais aplicadas à produção e à regulamentação da aquicultura na China, ajudando a tornar o setor mais ecológico e eficiente.”

Além da criação convencional, o país vem investindo em sistemas de recirculação de água, aquicultura em águas profundas e integração entre lavoura e criação de peixes.

Em outro projeto chinês divulgado em 2026, uma tecnologia empregada na produção de esturjões conseguiu reduzir em 95% o consumo de água e elevar em mais de cinco vezes a produção por unidade de área. O sistema de transporte desenvolvido para esses peixes apresentou ainda sobrevivência superior a 98% em trajetos acima de 5 mil quilômetros. 

Não significa que esses índices sejam representativos de toda a aquicultura chinesa — são resultados de um projeto específico —, mas ajudam a mostrar até onde algumas dessas tecnologias estão chegando.

Para Leano, a mudança necessária é mais profunda: “O que precisamos não é apenas de mais desenvolvimento, mas de uma transformação de todo o setor de aquicultura.”

Existe ainda uma terceira frente: combater a pesca ilegal antes que o pescado chegue ao mercado.

A China aderiu, em abril de 2025, ao Acordo sobre Medidas do Estado do Porto, da FAO, primeiro acordo internacional vinculante dedicado especificamente ao combate à pesca ilegal, não declarada e não regulamentada.

Desde então, o país designou inicialmente 23 portos para implementação das medidas, além de adotar inspeções de embarcações e uma plataforma de informações para acompanhamento das operações. 

Fonte: Agência Xinhua

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