Uma imensa rede de afluentes, dezenas de operações e uma atividade que movimenta milhões de reais e gera oportunidades para famílias na Amazônia.

Falar de Barcelos é falar de um dos destinos mais procurados por quem sonha em enfrentar os grandes tucunarés-açus da Amazônia. Mas a grandiosidade desse município vai muito além dos peixes que atraem pescadores do Brasil e do mundo.
Para mim, Barcelos tem um significado especial. É onde escolhi viver, pescar e trabalhar ao lado do meu marido, participando diariamente de uma atividade que movimenta a economia da região. E se você ainda não conhece Barcelos como destino de pesca esportiva, minha sugestão é que coloque essa viagem na sua agenda o quanto antes.
Talvez sejam necessárias décadas para conhecer todo o potencial da região. Uma, duas, três ou quatro temporadas podem não ser suficientes para explorar sequer uma pequena parte de seus rios. É um destino ao qual podemos voltar inúmeras vezes e ainda descobrir novos lugares.
Um território de dimensões impressionantes
Localizado no Amazonas, Barcelos possui aproximadamente 122,4 mil km², sendo o maior município do estado em extensão territorial. Segundo o IBGE, sua população estimada para 2026 é de 17.805 habitantes.
Embora o Rio Negro seja o principal eixo hidrográfico, grande parte das pescarias acontece em seus afluentes. Entre os rios utilizados pelas operações estão o Aracá, Demeni, Unini, Caurés, Padauiri, Cuiuni, Itu e Arirarrá, conforme informações da Secretaria Municipal de Turismo.
Essa diversidade de rios, paisagens e ambientes de pesca ajuda a explicar as inúmeras possibilidades que Barcelos oferece aos pescadores e a distribuição das operações por diferentes áreas da região.

A força econômica da pesca esportiva
Segundo a Secretaria Municipal de Turismo, Barcelos possui 84 empresas cadastradas, das quais aproximadamente 60 operam a cada temporada, entre barcos-hotéis, hotéis de selva, pousadas e acampamentos.
O levantamento referente à temporada 2024/2025 registrou 7.220 pescadores informados por 53 empresas participantes. Considerando o ajuste estatístico para as operações não respondentes, a estimativa chegou a 9.258 turistas.
O valor médio dos pacotes foi estimado em R$ 11.172 por pescador, com uma receita projetada de aproximadamente R$ 102,6 milhões. Somente o consumo de combustível das operações foi estimado em R$ 18 milhões no cenário ajustado.
Esses são os dados oficiais mais recentes disponibilizados para esta reportagem. Segundo a Secretaria Municipal de Turismo, os resultados da temporada 2025/2026 ainda não haviam sido disponibilizados pela Amazonastur na data da consulta.

Uma atividade que sustenta famílias
De acordo com a Secretaria Municipal de Turismo, a pesca esportiva gera aproximadamente 700 empregos diretos em Barcelos. No entanto, na minha percepção, como moradora da região e acompanhando de perto a realidade das operações, esse número pode até quadruplicar quando consideramos os empregos informais e indiretos que o turismo de pesca movimenta.
São profissionais autônomos, trabalhadores temporários, fornecedores, transportadores e prestadores de serviços que também encontram nessa atividade uma importante fonte de renda.
Essa percepção vem da minha vivência diária na região, embora ainda não exista um levantamento oficial que dimensione toda essa cadeia de trabalho.
A movimentação econômica começa muito antes da chegada dos turistas, com contratações, compras, manutenção de embarcações, transporte e inúmeros serviços que fazem a economia circular e beneficiam famílias da região.
Segundo a Secretaria Municipal de Turismo, o extrativismo da piaçava e a pesca ornamental também fazem parte da economia local, mas o turismo de pesca é apontado pelo órgão como a atividade de maior expressão entre esses setores.
Muito além de uma pescaria
Para quem chega a Barcelos, o sonho geralmente está na captura de um grande tucunaré-açu. Para quem vive aqui, a pesca esportiva também representa trabalho, renda e oportunidades.
Morar nessa região durante todo o ano me permite acompanhar parte das transformações dos rios e compreender cada vez mais a importância dessa atividade para as famílias locais.
Não conheço todos os rios de Barcelos, e talvez seja justamente esse um dos maiores encantos do destino: mesmo para quem mora aqui, ainda existe muito a descobrir.
Barcelos é muito mais do que um lugar para pescar grandes tucunarés. É um território de dimensões extraordinárias, de muitos rios, histórias e pessoas que encontram na pesca esportiva uma importante fonte de renda.
E é essa Barcelos, vista pelos olhos de uma pescadora e pela experiência de quem vive e trabalha aqui, que eu gostaria que mais pessoas conhecessem.
Fontes: IBGE — dados territoriais e populacionais de Barcelos; Secretaria Municipal de Turismo de Barcelos — informações fornecidas para esta reportagem; Levantamento sobre Pesca Esportiva em Barcelos, temporada 2024/2025 — Workshop Barcelos 2.0.
Sobre Tanilla Moura
Pescadora esportiva e empresária do turismo de pesca, vive na confluência dos rios Arirarrá e Negro, em Barcelos (AM). Seu cotidiano é marcado pela observação dos rios, do comportamento dos peixes e das transformações da floresta ao longo de todo o ano. Atua na operação Amazon Xplor e promove expedições femininas, compartilhando conhecimento técnico e experiências de quem fez da Amazônia seu lar.
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