Investimentos em infraestrutura e chegada de mulheres, crianças e famílias ajudam a expandir o setor e fortalecer o turismo de pesca

A pesca esportiva deixou de ser uma atividade concentrada em um público mais restrito e passou a movimentar uma cadeia que envolve turismo, equipamentos, transporte, hospedagem e serviços especializados. Para Marcelo Claro, CEO da Pesca & Companhia, a expansão do setor está diretamente ligada aos investimentos em infraestrutura e à chegada de novos públicos, como mulheres, crianças e famílias.
Em entrevista ao Times Brasil, Claro afirmou que a pesca passou por uma transformação nos últimos anos, especialmente com a instalação de estruturas voltadas ao turismo em regiões como o Pantanal e a Amazônia. Segundo ele, a oferta de operações especializadas tornou a atividade mais acessível para quem não possui experiência ou não está habituado à rotina da pesca.
“Antigamente, nossos avós praticavam aquela pesca no Pantanal de uma forma mais rústica. Hoje acabaram se instalando na região pantaneira e também na Amazônia estruturas, operadores de turismo. Aqui tem tudo pronto, facilita a sua pescaria”, afirmou.
A mudança também alterou o perfil de quem pratica a modalidade. Segundo Claro, a pesca, que durante muito tempo teve predominância masculina, passou a atrair mulheres e crianças com a profissionalização das operações e a melhoria da infraestrutura disponível nos destinos.
“De tal maneira que aquilo que antes era praticado pelo pessoal raiz mesmo, hoje é praticado por crianças, por senhoras, pelas avós agora, em vez de ser só os avós. Então é um mercado que vem crescendo muito”, disse.
Infraestrutura impulsiona cadeia de serviços
O crescimento do turismo de pesca criou demanda por uma cadeia diversificada de produtos e serviços. O mercado começa nos equipamentos utilizados pelos praticantes e se estende a embarcações, operadores turísticos e guias especializados.
Claro destaca que o avanço das estruturas voltadas ao setor foi acompanhado pela consolidação de empreendimentos que passaram a oferecer uma experiência mais completa aos pescadores. Para ele, os investimentos realizados nas últimas décadas ajudaram a criar um mercado capaz de atender diferentes perfis de público.
“A infraestrutura que acabou sendo montada no Brasil, e o Brasil é um país diferencial em relação ao resto do mundo, porque aqui a gente tem uma variedade de peixes, de peixes que não existem em nenhum outro lugar do planeta”, afirmou.
A diversidade de ambientes também é apontada pelo executivo como uma vantagem competitiva do país. O Brasil reúne águas interiores, rios, lagos, represas e uma extensa região costeira, permitindo a prática de diferentes modalidades de pesca em distintas regiões.
“Então, a gente está falando desde peixes de pescar em mar aberto, com peixes na região costeira, e em águas interiores. E, na verdade, o que acabou acontecendo é que o investimento em infraestrutura, em operações de turismo, em guias de pesca, aquilo acabou dando muito certo”, disse Claro.
Além dos equipamentos básicos, como varas e anzóis, o setor também envolve embarcações de grande porte e motores de alta potência. Essa estrutura permite atender operações turísticas em áreas remotas e ampliar o acesso dos visitantes aos pontos de pesca.
Pesca ganha novos praticantes
A entrada do público feminino é uma das mudanças mais recentes apontadas por Claro. De acordo com o executivo, mulheres passaram a acompanhar com maior frequência seus familiares nas viagens de pesca, enquanto filhos e filhas também passaram a integrar essas experiências.
“Com a recente adesão, isso é recente mesmo, é coisa de 15 anos para cá, 20 anos para cá, é o público feminino. O público feminino, antes era o clube do bolinha, agora não mais. As esposas acompanham, os filhos acompanham, as filhas acompanham”, afirmou.
Para Claro, a ampliação desse público tende a contribuir para a continuidade do crescimento do mercado. A experiência oferecida pelas estruturas turísticas também ajuda a aproximar pessoas que anteriormente não tinham contato com a atividade.
A pesca esportiva, nesse contexto, passou a ser associada não apenas à captura de peixes, mas à experiência proporcionada pelo contato com ambientes naturais. O executivo define a atividade como uma experiência que ultrapassa o uso dos equipamentos e a própria pescaria.
“Eu vou resumir assim: a pesca, na verdade, ela é um estado de espírito. É um verdadeiro estado de espírito. Ela transcende muito mais aquela coisa de você sair com a sua vara de pesca e tal, porque ter um contato com a natureza, com o meio ambiente, é uma coisa de uma forma muito intensa”, afirmou.
Segundo Claro, essa relação com a natureza é parte importante da experiência proporcionada pela pesca. Ele também destaca o ambiente encontrado nos destinos especializados, com rios, vegetação e a presença de animais como parte da experiência dos visitantes.
“Hoje é um prazer imenso você estar na beira do rio, praticando uma pescaria, ouvindo o barulho dos pássaros, dos macacos. Aquilo ali é uma coisa que faz muito bem”, disse.
Brasil reúne condições para expansão
A combinação entre biodiversidade, variedade de ambientes e infraestrutura turística coloca o Brasil em uma posição favorável para a expansão da pesca esportiva. A atividade pode ser praticada em diferentes regiões e envolve desde destinos de águas interiores até operações em áreas costeiras.
Para o CEO da Pesca & Companhia, a evolução do mercado mostra que os investimentos realizados no setor encontraram espaço para crescer justamente pela diversidade oferecida pelo território brasileiro.
“O Brasil é um país diferencial em relação ao resto do mundo”, afirmou Claro, ao destacar a variedade de espécies e ambientes disponíveis no país.
A profissionalização das operações também contribuiu para transformar a pesca esportiva em uma atividade turística capaz de receber públicos que antes tinham pouca relação com a modalidade. Com famílias inteiras participando das viagens e novos serviços sendo incorporados às operações, o setor amplia seu alcance e cria oportunidades para diferentes segmentos da economia.
Para Claro, essa expansão ainda está em andamento.
“Isso é uma progressão, a gente diria que é uma progressão geométrica, e deve crescer cada vez mais ainda”, concluiu.
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