Uma jornada de pesca pode significar seis, oito ou mais horas dentro de uma embarcação, com longos períodos em pé, deslocamentos e repetição de arremessos.

Na pesca com iscas artificiais, o mesmo movimento pode ser realizado sucessivamente durante o dia. Na praia, entram na conta caminhadas na areia e transporte de equipamentos. Quando aparecem peixes maiores, o combate acrescenta outra exigência física ao pescador.
O esforço muda conforme a modalidade. Quem busca tucunarés em rios e represas, por exemplo, utiliza repetidamente ombros, cotovelos, antebraços e punhos para lançar e trabalhar as iscas. Na pesca de praia, pernas e região central do corpo participam da estabilização sobre um terreno irregular. Dentro de uma embarcação, o pescador ainda precisa compensar o movimento provocado pela água.
Para Guilherme Moscardi, profissional de Educação Física, personal trainer e responsável por treinamento e Educação do Grupo Ultra Academia, uma melhor condição muscular e cardiovascular pode ajudar tanto a suportar uma pescaria prolongada quanto nos momentos de maior exigência.
“Assim como qualquer outra modalidade de atividade do corpo humano, um indivíduo com mais condicionamento muscular e cardiovascular tanto suportará mais horas da atividade como também terá melhor aproveitamento. Quem tiver mais músculos terá maiores chances de ganhar a disputa com o peixe ou suportará por mais tempo as disputas peixe-pescador que acontecem muitas vezes. Assim como um atleta consegue levantar mais peso, é bem provável que um indivíduo treinado tenda a ter mais condições de puxar o peixe da água”, explica Guilherme Moscardi.
Ombros, antebraços e punhos exigem atenção
Um conjunto formado por vara, molinete ou carretilha e isca pode parecer leve quando segurado durante alguns minutos. Depois de horas de atividade, porém, a repetição passa a ter peso importante.
O ombro participa da movimentação e do posicionamento da vara. Cotovelo, antebraço e punho trabalham no lançamento, no recolhimento e na movimentação das iscas artificiais.
Hélices, jerkbaits, jigs e outros artificiais que precisam ser trabalhados pelo pescador exigem movimentos sucessivos. Por isso, a preparação não deve considerar somente a força necessária para combater um peixe, mas também a resistência muscular para repetir esses movimentos durante a jornada.
A musculatura das costas e a região posterior dos ombros também aparecem entre os pontos indicados por Guilherme Moscardi para quem pretende se preparar.
Pernas e abdômen também pescam
A preparação física não deve ficar concentrada nos braços.
Em uma embarcação, permanecer em pé enquanto o casco se movimenta exige ajustes constantes de equilíbrio. Abdômen, região lombar, quadril e pernas participam da estabilização do corpo enquanto os membros superiores executam os arremessos.
Na pesca desembarcada, o terreno acrescenta outra dificuldade. Caminhar na areia, sobre pedras, barrancos ou margens irregulares exige mais das pernas e do equilíbrio do que um deslocamento convencional.
Durante a briga com um peixe de maior porte, o trabalho de pernas e tronco também ajuda na sustentação e na execução dos movimentos.

Alongamento e mobilidade antes de pescar
Entre as orientações de Guilherme Moscardi está dedicar atenção à mobilidade das articulações, principalmente em regiões que serão utilizadas repetidamente durante a pescaria.
“Fazer alongamentos de todas as articulações, principalmente ombros, quadril e lombar, aumentará a mobilidade e a amplitude dos movimentos. A maior capacidade articular tende a aumentar a consciência corporal e é bem provável que reduza consideravelmente a incidência de lesões. Alongar ombros, parte posterior das coxas e musculatura lombar, quando não for possível um alongamento do corpo todo, ajudará a tornar mais suportáveis as longas horas de prática de pescaria. A resistência da musculatura das costas, parte de trás dos ombros e lombar auxiliará nos movimentos de puxada dos peixes”, afirma Guilherme Moscardi.
O trabalho não precisa ficar restrito ao dia da pescaria. Exercícios de mobilidade e fortalecimento podem fazer parte da rotina de quem costuma permanecer várias horas na água.
Musculação pode ajudar?
Segundo Guilherme Moscardi, exercícios de resistência muscular podem contribuir para diferentes modalidades de pesca. A intensidade e o tipo de preparação, entretanto, devem acompanhar a exigência que o pescador encontrará.
“Se for fazer uma pesca de peixes menores, uma musculação básica ou outras atividades de resistência muscular, a força resistida, poderão proporcionar muita vantagem para um ex-sedentário. Se a pesca for de peixes maiores, o peso do peixe deve estar contemplado quase que todo ele para beneficiar o pescador”, explica.
Na prática, exercícios destinados a costas, ombros, braços, região abdominal e pernas podem compor a preparação. O objetivo não é transformar o pescador em atleta, mas aumentar sua capacidade de sustentar os movimentos necessários durante a atividade.
Cardio também entra na preparação
Nem tudo se resume à musculação. Uma pescaria longa também exige resistência para permanecer ativo durante várias horas.
Caminhada, corrida, bicicleta e natação estão entre as atividades citadas por Guilherme Moscardi para desenvolver o condicionamento geral.
“Se for precisar ficar muitas horas praticando a pesca, também será mais beneficiado pelo treinamento o pescador que incluir mais trabalhos de condicionamento físico geral, como correr na esteira, pedalada moderada ou intensa e natação”, completa.
Esse condicionamento pode fazer diferença especialmente em jornadas que combinam deslocamentos, calor, períodos prolongados em pé e grande quantidade de arremessos.
Passa a semana sentado? Atenção redobrada
O cenário merece atenção principalmente entre pescadores que passam boa parte da semana com pouca atividade física e concentram um grande esforço no fim de semana.
“Todo indivíduo sedentário tem menos capacidade para atividades diárias do que os mais bem condicionados. Um treinamento genérico vai ajudar a esmagadora maioria dos pescadores. É claro que, assim como nos esportes, alguns exigem mais desta ou daquela capacidade, o mesmo acontece com a pescaria. Algumas modalidades de pesca exigem mais condicionamento que outras”, afirma Guilherme Moscardi.
A diferença entre as modalidades também deve ser considerada. Uma pescaria de praia, com caminhada na areia, apresenta exigências diferentes de oito horas de arremessos com iscas artificiais dentro de uma embarcação. Da mesma forma, enfrentar peixes de maior porte exige uma preparação diferente daquela necessária para uma pescaria ultraleve.
Cinco pontos para o pescador trabalhar
De acordo com as orientações de Guilherme Moscardi, quem pretende incluir preparação física na rotina pode prestar atenção principalmente a cinco pontos:
1. Ombros e costas: participam dos arremessos, da movimentação da vara e do combate com o peixe.
2. Antebraços e punhos: trabalham na pegada, no lançamento, no recolhimento e na movimentação das iscas.
3. Abdômen e lombar: ajudam na estabilização e sustentação do corpo.
4. Pernas e quadril: são importantes para equilíbrio, deslocamentos e sustentação, principalmente em embarcações e terrenos irregulares.
5. Condicionamento cardiovascular: ajuda a sustentar jornadas prolongadas e pode ser desenvolvido com atividades como caminhada, corrida, bicicleta e natação.