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Fishfinders mudam a forma de encontrar peixes e colocam tecnologia no centro da pescaria

Encontrar o peixe antes mesmo de fazer o primeiro arremesso deixou de depender apenas da leitura da água, do conhecimento dos pontos e da experiência acumulada pelo pescador.

A nova geração de fishfinders permite identificar estruturas submersas, localizar cardumes e, com sistemas de sonar ao vivo, acompanhar em tempo real a movimentação de peixes e até a reação deles à aproximação de uma isca.

A corrida tecnológica envolve alguns dos principais fabricantes de eletrônicos para pesca e navegação. Humminbird, Garmin e Raymarine desenvolveram soluções que partem do mesmo princípio — utilizar o sonar para revelar o que está abaixo da superfície —, mas oferecem recursos e ecossistemas diferentes.

Na prática, a escolha deixou de envolver somente tamanho da tela ou potência do equipamento: é preciso entender o que cada tecnologia efetivamente acrescenta à pescaria.

Para Marcelo Claro, CEO da Pesca & Cia, a eletrônica passou por uma transformação que modificou a quantidade de informação disponível dentro do barco.

“O fishfinder mudou muito nos últimos anos. Antes, a eletrônica ajudava principalmente a entender profundidade e estrutura. Hoje, existem tecnologias que permitem acompanhar o que está acontecendo debaixo da água praticamente em tempo real. Mas ter a informação na tela não significa necessariamente conseguir capturar o peixe. Interpretar o ambiente, escolher a técnica e fazer o peixe atacar continuam dependendo do pescador”, afirma Marcelo Claro.

Mas o que é um fishfinder?

Em tradução direta, fishfinder significa “localizador de peixes”. O equipamento trabalha com um transdutor instalado na embarcação, responsável por emitir ondas sonoras na água.

Quando esses sinais encontram o fundo, estruturas, vegetação ou peixes, parte da energia retorna ao transdutor. O aparelho interpreta esses dados e os transforma em informações visuais na tela.

Na prática, o fishfinder funciona como os “olhos” do pescador debaixo da água.

Os modelos atuais, entretanto, foram muito além da função que deu nome ao equipamento. Dependendo da configuração, conseguem informar profundidade, apresentar o relevo do fundo, revelar estruturas laterais, mostrar vegetação, identificar alvos e combinar tudo isso com GPS e cartografia.

Durante décadas, a principal tecnologia estava no próprio conhecimento do pescador. A localização dos peixes passava pela observação da margem, correnteza, pedras, galhadas, vegetação, temperatura, profundidade, época do ano, movimentação de aves e comportamento conhecido de cada espécie.

Guias locais ganharam importância justamente pela capacidade de interpretar esses sinais e conhecer os pontos produtivos. Os primeiros ecossondas acrescentaram uma nova informação: o que havia abaixo do barco.

A evolução trouxe telas com maior definição, GPS, mapas, CHIRP e sistemas de imagem lateral e vertical. Agora, uma nova geração está levando essa leitura para outra dimensão.

A nova fronteira: ver o peixe em tempo real

O chamado live sonar, ou sonar ao vivo, é uma das tecnologias que mais têm chamado atenção no setor.

Em vez de mostrar somente o histórico daquilo que passou pelo alcance do transdutor, determinados equipamentos conseguem apresentar movimentos praticamente em tempo real.

Dependendo do sistema e da instalação, o pescador pode observar um peixe se deslocando, identificar sua posição em relação a uma estrutura e acompanhar a aproximação da isca.

É nesse cenário que Humminbird, Garmin e Raymarine disputam espaço dentro das embarcações.

Humminbird: estrutura como ponto de partida

A Humminbird construiu parte de sua presença no segmento com as tecnologias MEGA Imaging, desenvolvidas para fornecer diferentes perspectivas do ambiente submerso.

Side Imaging, Down Imaging e outras soluções permitem investigar áreas ao redor e abaixo da embarcação. Com o avanço para o MEGA Live Imaging, a marca também entrou no universo da visualização em movimento.

A geração MEGA Live 2 avançou em pontos como clareza, estabilidade da imagem, separação de alvos e acompanhamento da isca.

Outro elemento importante é a integração. Os equipamentos podem fazer parte de um ecossistema que envolve produtos Humminbird e Minn Kota, permitindo conectar eletrônica, posicionamento e motor elétrico.

Principal vantagem: leitura detalhada das estruturas associada à integração dos equipamentos utilizados na pescaria.

Garmin: LiveScope transforma peixe em alvo visível

Se existe uma tecnologia que ajudou a colocar o sonar ao vivo no centro das discussões entre pescadores, é o Garmin LiveScope.

O sistema permite observar peixes, estruturas e a movimentação da isca praticamente em tempo real. Conforme a configuração utilizada, o pescador consegue visualizar o que acontece à frente ou abaixo da embarcação.

A diferença é significativa.

O fishfinder deixa de responder somente “onde estão os peixes?” e passa a ajudar a responder “o que eles estão fazendo?”.

Um peixe pode ser acompanhado enquanto se movimenta próximo de uma estrutura. O pescador pode lançar a isca em sua direção e, em determinadas condições, observar se o animal se aproxima, ignora ou se afasta.

A Garmin oferece essa tecnologia dentro de um ecossistema que inclui diferentes famílias de displays e equipamentos voltados à pesca e navegação.

Principal vantagem: acompanhar a movimentação do peixe e sua relação com a isca em tempo real.

Raymarine: pesca e navegação no mesmo sistema

A Raymarine apresenta outra proposta dentro desse mercado ao combinar recursos de localização de peixes com uma plataforma mais ampla de eletrônica e navegação embarcada.

Entre as tecnologias da fabricante está o HyperVision, que reúne diferentes formas de leitura do ambiente submerso, incluindo SideVision, DownVision, RealVision 3D e CHIRP.

O CHIRP foi um dos avanços importantes da eletrônica para pesca. Em vez de trabalhar apenas com uma frequência fixa, a tecnologia utiliza uma faixa de frequências para produzir informações mais detalhadas e melhorar a separação entre os alvos.

Para quem navega distâncias maiores ou deseja concentrar diferentes informações da embarcação em um único sistema, essa integração ganha peso na escolha.

Principal vantagem: reunir sonar, visualização do ambiente submerso e navegação em uma mesma plataforma.

Qual fishfinder comprar?

A resposta depende menos da marca e mais da pescaria.

Um pescador que procura tucunarés próximos a estruturas em uma represa pode ter necessidades diferentes daquele que pesca no mar. Quem quer acompanhar individualmente a movimentação dos peixes também buscará uma configuração diferente de quem prioriza cartografia, profundidade e segurança na navegação.

Antes da compra, é necessário considerar o tipo de pescaria, espécies procuradas, ambiente, tamanho da embarcação, tecnologia desejada e orçamento disponível.

Também existe um detalhe importante: nem sempre o preço anunciado corresponde ao sistema completo.

Display, transdutor, módulo de sonar, suporte, cartas náuticas e outros componentes podem ser vendidos separadamente. Comparar somente o preço das telas pode, portanto, levar a uma conclusão equivocada sobre o investimento necessário.

 

Onde encontrar

O primeiro passo é identificar a tecnologia desejada nos canais oficiais de Humminbird, Garmin e Raymarine e verificar quais equipamentos e acessórios são necessários para fazê-la funcionar.

Depois, a procura pode ser feita em distribuidores, lojas náuticas e revendedores especializados ou autorizados no Brasil.

Pesquisar simplesmente “fishfinder” também pode não ser suficiente. Termos como fishfinder CHIRP, side imaging, down imaging, live sonar, forward-facing sonar, GPS fishfinder e chartplotter fishfinder ajudam a encontrar equipamentos voltados a necessidades específicas.

Garantia, assistência técnica, disponibilidade de transdutores e acessórios, mapas compatíveis com o Brasil e possibilidade de futuras atualizações também precisam entrar na conta.

Fishfinder está deixando a pesca fácil demais?

A mesma tecnologia que permite pescar com mais informação abriu uma discussão que começa a ultrapassar a escolha do equipamento.

Se localizar o peixe sempre fez parte da habilidade necessária para uma pescaria, o que acontece quando o pescador consegue enxergar um exemplar na tela, acompanhar seu deslocamento e observar sua reação à isca?

A tecnologia não executa o arremesso, escolhe a isca ou garante a captura. Mas a quantidade de informações disponíveis é incomparavelmente maior do que aquela que os pescadores tinham algumas décadas atrás.

E talvez esteja justamente aí a próxima grande discussão da pesca esportiva: o fishfinder está apenas tornando o pescador mais eficiente ou está mudando a própria definição de habilidade na pesca?

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