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Pesca reúne 57 milhões de americanos em 2025, revela pesquisa

Apesar da queda em relação ao ano anterior, levantamento aponta crescimento de longo prazo, recorde na pesca em água salgada e mais de seis milhões de novos pescadores nos Estados Unidos
Pesca
Reprodução

A pesca recreativa movimentou 57 milhões de pessoas nos Estados Unidos em 2025, o equivalente a cerca de 18% da população do país. O número, divulgado no Special Report on Fishing 2026, da American Sportfishing Association (ASA), representa uma queda em relação aos 57,9 milhões registrados em 2024 e marca o primeiro recuo anual na participação desde 2021.

Apesar da retração, o cenário segue positivo quando analisado em um período mais longo. O contingente de pescadores norte-americanos está quase 25% acima do registrado há dez anos, mostrando que a atividade mantém uma base ampla e consolidada no país.

O levantamento também indica que a pesca é motivada por fatores que vão além da captura de peixes. Estar em contato com a natureza, aliviar o estresse da rotina e compartilhar momentos com familiares e amigos aparecem entre os principais motivos apontados pelos participantes.

Por outro lado, a pesquisa identificou obstáculos que podem afastar os praticantes. Locais muito cheios, condições climáticas desfavoráveis, problemas relacionados à qualidade da água, resultados abaixo das expectativas e o aumento dos custos com equipamentos estão entre os fatores de maior insatisfação.

Pesca em água salgada bate novo recorde

Enquanto a participação geral apresentou queda, alguns segmentos registraram resultados expressivos. A pesca em água salgada alcançou o maior número de praticantes da série histórica, com 15,5 milhões de pescadores em 2025. O resultado representa um crescimento de 400 mil pessoas em relação ao ano anterior e estabelece o quarto recorde consecutivo.

Na água doce, a participação permaneceu estável, com 41,6 milhões de pescadores pelo quarto ano seguido. Já a pesca com mosca apresentou uma pequena redução, chegando a 7,9 milhões de praticantes. Ainda assim, o número é quase dois milhões superior ao registrado dez anos atrás.

Outro dado considerado relevante pela ASA foi a entrada de novos praticantes. Mais de seis milhões de americanos pescaram pela primeira vez em 2025, representando 11% do total de pescadores. Em 2024, essa parcela correspondia a 9%.

Diversificação entre os praticantes

O relatório também mostra avanço da pesca entre grupos que historicamente apresentavam menor participação. Cerca de seis milhões de americanos negros praticaram a atividade em 2025, maior número registrado desde o início da série histórica, em 2007.

Entre os hispânicos, foram 6,9 milhões de pescadores, o dobro do volume observado uma década atrás. A participação feminina apresentou uma pequena redução no último ano, chegando a 21,1 milhões, mas permanece 34% acima do patamar registrado dez anos atrás.

A presença dos jovens continua sendo apontada como um dos principais fatores para a formação de novos pescadores. Embora tenha ocorrido uma leve queda entre crianças de 6 a 12 anos, o número de praticantes de 13 a 17 anos aumentou de 5,2 milhões para 5,4 milhões. A participação nessa faixa etária passou de 24% para 25%.

A influência da infância também aparece em outro dado da pesquisa: 86% dos pescadores atuais tiveram seu primeiro contato com a atividade antes dos 12 anos.

Mais tempo na água

Mesmo com menos participantes, os americanos passaram mais tempo pescando. O número total de jornadas de pesca cresceu 3% em 2025, chegando a aproximadamente 918 milhões de saídas.

A pesquisa também aponta espaço significativo para ampliar esse público. Entre os americanos que não pescaram em 2025, 10% afirmaram ter considerado começar a praticar a atividade. Entre as crianças, esse índice chegou a 15%.

A perspectiva para 2026 também é favorável: 99% dos pescadores entrevistados disseram esperar voltar a pescar durante o ano.

Pesca e conservação

A ASA chama atenção ainda para a importância econômica da pesca recreativa para a conservação dos recursos pesqueiros nos Estados Unidos. A comercialização de licenças e a arrecadação de um imposto federal de 10% sobre equipamentos de pesca esportiva ajudam a financiar ações de manejo de espécies, recuperação de habitats e ampliação do acesso a áreas públicas.

Os recursos são destinados por meio do sistema estabelecido pelo Dingell-Johnson Act. Desde 1950, o programa já teria gerado mais de US$ 12 bilhões para iniciativas de conservação da pesca.

Por outro lado, a entidade considera preocupante a suspensão, no início de 2025, de recursos federais destinados ao National Outreach and Communications Program. A iniciativa apoiava projetos de introdução à pesca, ações para atrair e manter praticantes e campanhas voltadas à recuperação de pescadores que haviam deixado a atividade.

Para enfrentar esse cenário, a Fish America Foundation, ligada à ASA, criou neste ano seu primeiro programa específico de financiamento para iniciativas de recrutamento, retenção e reativação de pescadores. A proposta prevê parcerias com lojas de equipamentos, fabricantes e organizações sem fins lucrativos.

O Special Report on Fishing 2026 é elaborado pela American Sportfishing Association em parceria com a Outdoor Industry Association e reúne respostas de mais de 18 mil participantes. O estudo é considerado um dos principais levantamentos sobre o comportamento, o perfil e a participação dos pescadores recreativos nos Estados Unidos.

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