Economia azul ganha força com energia limpa e pode multiplicar riqueza dos oceanos até 2050

Relatório da OECD aponta expansão do setor impulsionada pela transição energética; especialista alerta para risco de esgotamento dos recursos marinhos sem mudanças imediatas

Oceano
Reprodução/PxHere

A chamada “economia azul” vem se consolidando como uma das principais apostas globais para unir crescimento econômico e preservação ambiental. De acordo com o relatório The Ocean Economy to 2050, da Organisation for Economic Co-operation and Development, a economia ligada aos oceanos pode alcançar, até 2050, um tamanho até 2,5 vezes maior do que o registrado em 1995, especialmente com o avanço das fontes de energia de baixo carbono.

O conceito de “blue economy” reúne atividades econômicas relacionadas aos mares e oceanos, mas com foco em sustentabilidade e preservação dos ecossistemas marinhos. O setor já movimenta cerca de US$ 1,5 trilhão no mundo, segundo dados da Global School of Sustainability at LSE, ligada ao Instituto Grantham sobre Mudanças Climáticas e Meio Ambiente.

Durante décadas, a expansão da economia oceânica esteve associada a atividades como pesca em larga escala, exploração de petróleo e gás offshore e transporte marítimo. Nos últimos anos, porém, o aumento da degradação ambiental e o desgaste dos recursos naturais passaram a pressionar governos e empresas por um novo modelo de desenvolvimento.

Entre as alternativas apontadas para essa transformação está a ampliação da energia eólica offshore, produzida por aerogeradores instalados no mar, além de outras iniciativas ligadas à transição energética.

Para a especialista em territórios sustentáveis Liu Berman, a mudança precisa ocorrer rapidamente para que os oceanos consigam manter sua capacidade de regeneração.

“Estamos próximos do prazo estabelecido pela Agenda 2030, e a velocidade dessa transição ainda gera preocupação. Sem uma adesão mais acelerada às práticas sustentáveis, os oceanos podem perder sua capacidade de recuperação”, afirma.

Segundo a especialista, a preservação marinha deixou de ser apenas uma pauta ambiental e passou a ter impacto direto sobre a estabilidade econômica global. O relatório da OECD destaca que os oceanos garantem a segurança alimentar de mais de três bilhões de pessoas, respondem pelo transporte de mais de 80% das mercadorias comercializadas no planeta e abrigam cabos submarinos responsáveis por cerca de 98% do tráfego internacional da internet.

“Qualquer desequilíbrio estrutural nesse ecossistema afeta cadeias globais de comércio, comunicação e abastecimento”, ressalta Liu Berman.

A OECD também aponta que, mesmo com os impactos da transição energética sobre setores tradicionais da economia oceânica, o avanço das atividades sustentáveis tende a manter a curva de crescimento do setor nas próximas décadas. Para especialistas, porém, o cenário depende da substituição gradual de práticas consideradas predatórias por modelos baseados em baixo carbono e conservação ambiental.

“A janela para essa transformação é curta. O crescimento projetado para 2050 só será sustentável se houver mudanças imediatas na forma de exploração dos recursos marinhos”, conclui Liu Berman.

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