Espécie símbolo do Pantanal sofre com barragens, perda de habitat e alterações nos rios
O pintado, um dos peixes mais emblemáticos das águas brasileiras, passou a integrar a lista de espécies migratórias vulneráveis da Organização das Nações Unidas (ONU). A inclusão reconhece que a espécie enfrenta um cenário de declínio populacional e reforça a necessidade de ampliar as ações de conservação em toda a sua área de ocorrência.
Apesar de ainda ser encontrado em importantes bacias hidrográficas da América do Sul, o pintado vem sofrendo com a degradação dos ambientes aquáticos. O peixe habita rios do Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai e depende de longos deslocamentos para completar seu ciclo reprodutivo.
Durante o período de reprodução, a espécie percorre centenas de quilômetros pelos rios em busca de áreas adequadas para a desova. No entanto, a construção de barragens, a redução das áreas inundáveis, o assoreamento, a poluição e as mudanças no regime das cheias têm dificultado essas migrações e comprometido a renovação natural das populações.
Avaliações realizadas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) apontam que o pintado perdeu cerca de 30% de sua população nos últimos 45 anos. Em bacias como as dos rios São Francisco e Alto Paraná, a fragmentação dos cursos d’água provocada por usinas hidrelétricas é considerada um dos principais fatores responsáveis pela redução da espécie.
No Pantanal, onde o pintado é um dos principais representantes da fauna aquática, a preservação da dinâmica natural dos rios é considerada essencial para garantir a reprodução e a manutenção dos estoques pesqueiros.
Em Mato Grosso, a pesca do pintado permanece suspensa por força de uma lei estadual que proíbe o transporte, o armazenamento e a comercialização de 12 espécies nativas. A medida busca reduzir a pressão sobre os estoques naturais e favorecer a recuperação das populações.
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