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Pescaria de betara na praia

Talvez esta não seja a mais cobiçada, mas, sem dúvida alguma, é uma das mais conhecidas, e pode ser encontrada em praticamente toda a costa brasileira

Por Vladimir Ferreira/Fotos: Márcia Cassiano

A pescaria da betara na praia é uma excelente opção. Elas são da família dos Sciaenidae, a mesma da corvina, miraguaia e pescadas. Temos duas espécies, a Menticirrhuslittoralis e a Menticirrhusamericanus.

A primeira é encontrada mais em praias abertas, é bem clara e também a que atinge maior comprimento. Já a segunda é mais arredondada. Possui algumas manchas escuras no dorso e nas laterais, maxilares serrilhados e é encontrada em praias mais rasas, estuarinas e abrigadas.

Ambas possuem duas características em comum: um pequeno barbilhão abaixo do maxilar inferior e a extremidade da cauda em formato de “S”, que as diferenciam de suas parentes.

A betara é arisca e exige capricho do pescador para ser fisgada

Equipamentos

Gosto de utilizar equipamentos mais leves, caniços com aproximadamente 3,60 m, e molinetes com tamanho entre o 2500 e o 4000.

Para os carretilheiros, recomendo as de perfil alto, tendo como referência as Abu Garcia de 4000 até 6000 ou mesmo outros modelos com perfil baixo. Estas, por segurança, suportem um pouco mais de linha. Eventualmente, acabamos capturando outras espécies, que acabam tomando mais linha.

Uso linhas monofilamento 0,16 ou 0,18 mm, ou multifilamento PE 0,6 e arranques (líder) entre 0,35 e 0,45 mm.

Estes são alguns fatores que fazem com que a sua pesca seja muito prazerosa, além da esportividade. Elas são brigonas, sutis e astutas. Os anzóis não precisam ser grandes, até porque são peixes que pegam por sucção e possuem a boca pequena, quando comparada a muitas outras espécie. Como referência, recomendo o modelo maruseigo, do número 12 ao 14.

É um peixe que pode ser capturado o ano todo, mas sem dúvida alguma é no verão que elas costumam encostar mais. Com exceção do Rio Grande do Sul, onde existe muita fartura e é possível encontrar grandes cardumes.

Enquanto isso, em outras regiões elas costumam aparecer em quantidade menor, mas certamente vale a pena a insistir.

Vladimir costuma pescar betaras com molinetes; mas isto não é uma regra

Hábitos e alguns truques

Como são peixes que costumam comer no fundo, elas possuem a boca bem na parte inferior da cabeça. Recomendo chicotes e pernadas mais longas. Como já apresentado por aqui, costumo utilizar o modelo tradicional com a chumbada fixa embaixo e dois rotores, com pernadas com aproximadamente 80 cm.

E também um outro modelo em que utilizo a chumbada solta no meio do chicote, podendo correr livremente por toda a sua extensão, e o anzol fixo na extremidade inferior do mesmo. Este segundo modelo é bem interessante, pois o peixe, a princípio, não sente o peso da chumbada.

Como as pernadas são longas, o ideal é que elas estejam sempre bem esticadas. Para isto, é interessante utilizar linhas de fluorcarbono, que além de resistentes a abrasão são mais fáceis de manter esticadas, bastando dar um tranco seco ou aquecê-la, friccionando apenas com a ponta dos dedos, polegar e indicador, com bitolas que variam entre 0,33 mm e 0,40 mm. Já para o chicote, vai depender do peso das chumbadas. Normalmente utilizo entre 0,40 mm e 0,45 mm.

Para este tipo de pescaria, gosto de dois modelos de chumbadas, pirâmide e pião. Estes dois modelos costumam correr menos, fazendo com que a isca trabalhe apenas no raio de ação do comprimento da pernada, de acordo com o movimento do mar. Explorando exatamente algumas características morfológicas e de hábitos desta espécie. O peso vai depender das condições do mar e também da distância que eu quero buscar.

Algumas vezes, o canal pode estar mais distante, principalmente em praias mais rasas e durante as marés cheias, podendo variar de 70 até 135 g.

Outro detalhe extremamente importante é a forma de iscar. Devemos sempre tentar manter a ponta do anzol exposta. E, quando utilizamos o fio elástico para amarrar a isca, procurar não deixar que a mesma fique muito emborrachada. Isso fará com que ela tenha uma melhor apresentação e também para facilitar a fisgada.

A espécie lembra uma corvina, mas possui características bem peculiares

Preservar sempre

Nas regiões Sul e Sudeste, elas possuem um tamanho mínimo para serem capturadas, estabelecidos pela Portaria 053/05 do Ministério do Meio Ambiente (MMA), que é de 20 cm.

Além de achar muito pequeno, temos que pensar que também deveríamos ter um gabarito máximo, exatamente para preservar o DNA dos grandes exemplares.Também temos outras espécies que fazem parte desta Portaria, e acho muito importante tomarem ciência desta relação e do tamanho, para não cometerem crime ambiental. Se bem que o melhor é praticar o pesque e solte, sempre!