0   +   7   =  

Pescaria de curimbatás com isca artificial

O experimento se deu no Rio Mogi Guaçu, no interior paulista, e rendeu muitos peixes

Por Maicon Bianchi

Soa estranho mas é verdade! É possível fazer uma pescaria de curimbatás com iscas artificial. Apenas não se trata de plugs e garatéias como imaginamos a principio, mas sim de anzóis e muito material de confecção de bijuteria como lantejoulas, canutilhos entre outros e ainda outros materiais como fita veda rosca.

Confecção dos “chicotes”

Materiais:

• 03 Anzóis maruseigo nº. 18- quantidade máxima permitida na região da reportagem para cada chicote.
• Linha mono filamento ou fluorcarbon 0,50 mm
• Veda Rosca
• Lantejoula prata e vermelha (pequenas para entrar com pressão no anzol)
• Canutilho (amarelo, branco e vermelho), vendidos em casa de costura, idem a lantejoula
• Girador
• Vibra Stop (borracha que tem a função de não deixar a chumbada bater no nó do girador)
• Chumbo oliva redondo – (peso dependendo da correnteza)

A isca pode ser considerada artificial, embora não seja a convencional

Confecção:

-Os anzóis maruseigo possuem o off-set negativo, ou seja, sua ponta é virada para dentro, então com um alicate devemos abri-lo até que sua ponta fique reta.

-Após efetuada a primeira operação, passar o veda rosca nas “pernas” dos anzóis com 8 a 10 voltas

-Colocar de 03 a 04 lantejoulas em cada anzol, cores sortidas

-Após os passos 1,2 e 3 executados o anzol esta completo para receber a linha.

-Cortar um pedaço de linha (0,50 mm) de mais ou menos 50 cm de comprimento, atar o primeiro anzol na linha com o nó único(o ultimo anzol terminal) e em seguida colocar dois canutilhos na linha.

-Após atado o primeiro anzol, medir um palmo, para atar o próximo anzol, passar o próximo anzol na linha pela frente até na medida demarcada, enrolar a linha em cima da própria linha na perna do anzol, dando de 7 a 10 voltas e depois voltar com a ponta da linha, no “olho” do anzol e puxar, efetuada essa operação, colocar mais dois canutilhos e repetir a operação para o anzol nº. 3, e para finalizar o chicote atar com um nó único um girador.

-A linha principal da carretilha ou molinete colocar o chumbo, inserir o vibra stop e amarrar a linha com um nó único no girador do chicote.

O chicote ou “chicotilho” (apelido carinhosamente colocado por nossa equipe) estará pronto para o uso.

Materiais para a Pesca de Curimbatá com “chicotilho”:

• Uma Vara carbono 15 ou 20 lb de ação rápida (ponta dura),
• Linha de mono filamento ou multi filamento de até 0,40mm (importante, a linha tem que ser de uma cor forte para visualização ex: verde limão);
• Carretilha ou molinete com capacidade de até 100 metros da linha indicada;
• Ceva: Ração especifica para peixe, comercializadas nas agropecuárias, na falta, poderá ser empregado a ração de coelho, o item imprescindível é que a ração tem que afundar.

A pescaria e suas técnicas:

Antes mesmo do amanhecer, chegamos ao local pré-determinado, eu e meu grande amigo Juninho, amante e extremante conhecedor das espécies a ser capturadas e meu grande incentivador desse tipo de pescaria (Piapara e Curimbatás).

Com as “traias” devidamente preparadas, com um item de suma importância que é os “chicotilhos”, confeccionados sempre antes da pescaria (em casa), pois apesar de ser fácil, leva um pouco de tempo, e que na hora da pescaria ninguém quer perder tempo fazendo.

Tudo pronto colocamos os materiais dentro do barco de apoio, e rumamos ao barco nº4, numeração determinada pelo nosso tutor Nenê, prontamente instalado para a pescaria. Iniciamos a pescaria cevando o local e como a ração utilizada nesse tipo de pescaria tem que afundar (ração de peixe ou coelho), descartamos o uso de cevador, por termos águas de correntezas lentas sendo assim apenas soltamos a ração por traz do barco, para que a mesma afundasse o mais próximo possível da área de atuação dos chicotilhos.

Preparado o conjunto que consiste de vara, carretilha, linha, chumbada, vibra stop atado ao “chicotilho” e o local devidamente cevado, fizemos nossos arremessos em uma distancia de aproximadamente 20 metros, esperamos a chumbada encostar-se ao fundo do rio e deixamos a linha um pouco frouxa (com “barriga”) para visualizar a ação do peixe. Nesse caso a cor da linha é de extrema importância, temos que utilizar uma linha com cor de fácil visibilidade, no meu caso estava utilizando uma linha verde-limão com espessura de 0,35mm.

O curimbatá, por ser um peixe extremamente curioso e manhoso se aproxima do “chicotilho” atraído pelas lantejoulas e veda rosca e começa a “mamar”, nesse momento é que o pescador tem que estar muito atento, ao leve toque do peixe no “chicotilho” a linha estica levemente sumindo a “barriga”, então é a hora certa para a fisgada, preparasse pois são muitas fisgadas durante toda a jornada .

Para nossa total felicidade, comprovamos a piscosidade do local. Em nossos primeiros arremessos tivemos várias ações e capturas de curimbatás de tamanhos avantajados ( todos acima da medida mínima para embarque 35 cm), em dois dias de pescaria travamos dezenas de brigas com esses “beiçudos” de força invejável, e quem diria! , sem isca natural alguma, apenas na artificial.

O curimbatá não resistiu a isca artificial feita com lantejoula